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riscos_e_rabiscos

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* Nada escapa aos olhos das crianças...*

De manhã fiz a higiene habitual tomando uma banhoca e como hoje o dia nos brindou com um lindo céu azul e um sol de inverno quentinho e aconchegante, esmerei-me na secagem do cabelo. 

 

Chego à minha primeira turma e tenho um menino e uma menina a perguntarem-me:

 

- Ó teacher, esticaste o cabelo?

 

Surpreendida pela pergunta, respondi:

 

- Sim e não... sequei normalmente e como hoje está sol e não há humidade no ar, não tenho os poltergeists todos levantados na cabeça...

 

Risota geral. Pergunta o menino:

 

- Polter quê? 

 

Eu explico:

 

- Poltergeists... são assim uma espécie de fantasmas que, neste caso, são os cabelos pequeninos que estão a nascer e que ficam no ar parecendo fantasminhas a dançar...

 

Risota geral de novo. É tão bom poder brincar e rir com os meus meninos. Há turmas que sabem estar e que sabem quando é hora de brincar e de trabalhar.  

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* Pérolas Infantis #6 *

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Oiço o toque de entrada para a minha última aula e entro na sala com os meus alunos pintainhos atrás.

Depois de todos se terem sentado e acalmado, demos início às rotinas diárias da aula. Uma das rotinas é abrir a lição no caderno - e é um orgulho ver os meus pequeninos fazerem-no brilhantemente em inglês - e de seguida o meu ajudante do dia vai escrevê-la ao quadro. Os garotos adoram fazer isto. Aqueles que terminam primeiro, colocam o dedo no ar e eu vou lá ao lugar corrigir no caderno, colocando um certo e um smile feitos com uma caneta colorida. 

 

Hoje estava (estou) super cansada e com uma uma dor de costas terrível e, por este motivo, em vez de ir às mesas dos miúdos, fiz o contrário, pedi-lhes para vir à minha.

Às tantas vêm até mim duas meninas das mais inteligentes da sala, que são super caladinhas e trabalhadoras. Enquanto corrijo a lição a uma oiço um som do género "próooo". Parei, pensei duas vezes sobre o que teria sido aquilo e depois conclui que a outra menina tinha dado um "pum"!!!

Com uma vontade horrível de explodir a rir, olhei para a menina que não se envergonhou e nem se mostrou perturbada, olhei para os outros colegas que também tinham ouvido e não cairam na risota e encerrei o episódio dizendo "parece que alguém tem as molas frouxas".

 

Tenho a forte suspeita que estes meninos comem feijoada durante todo o fim de semana e na hora da minha aula resolvem presentear-me com estes mimos. Ah pois, é que já é a quarta ou quinta vez... vindas de bilhas de gás diferentes!

O bebé da Madeira.

Não consigo entender como é que o dinheiro pode valer mais que um filho, um ser inocente.

 

Que se dê um filho porque não se tem condições dignas para o criar, é uma coisa, agora vender uma criança? As crianças não são "coisas" vendáveis... São bens de valor incalculável! 

 

E depois há as outras mulheres a fazer tudo para ter um filho e não conseguem, que têm de pagar fortunas para conseguir ter um filho porque o estado queixa-se da natalidade mas corta as pernas a quem quer ser MÂE e amar o seu filho incondicionalmente.

 

Ser-se Mãe, é ter a máxima Graça Divina.

 

Este mundo está mesmo de pernas para o ar!

O mundo é uma ervilha!

Mesmo! O mundo é mesmo uma ervilha! Já tinha feito esta constatação várias vezes na minha vida e hoje foi uma delas.

 

Não é que entro no facebook e deparo-me imediatamente com uma foto de crianças do colégio que saí em julho? Confesso-vos que foi um choque. E também alguma tristeza e saudade das crianças. E mais uma vez percebi o pouco valor que ali me davam, o pouco interesse que davam às minhas mais valias. Muita exigência sim mas em coisas que não traziam benefícios para ninguém. E nem para inglês ver!

 

Nas fotos as crianças mostram o resultado de um dia dedicado ao artesanato, o resultado de uma peça feita por elas. É claro que eu não tenho, e  nunca terei, o protagonismo da artesã dona do facebook onde a foto apareceu mas que aquele e outros projectos podiam ter sido dinamizados por mim. E isto magoa-me porque não me souberam aproveitar e nem me deram a "oportunidade" para isso.

 

Desde que saí do colégio, cortei completamente relações com a instituição em si. Eliminei endereços de mail, contactos de redes sociais, nunca mais contactei colegas que também nem uma SMs ou mail me mandaram quando verificaram que eu já lá não estava) e nem quis saber se o colégio ainda estava de pé. É a minha maneira de lidar com aquilo que me dilacera, magoa profundamente.

 

O mundo é mesmo uma ervilha mas espero que não me apareçam mais fotos destas na parte da ervilha onde eu estiver.

Pérolas Infantis #4

Numa das minhas turmas estou a ensinar o tema da comida. e com este tema, eles aprendem a dizer o que gostam e não gostam. Na sexta-feira, dei-lhes uma ficha para que trabalhassem no fim de semana. Num dos exercícios tinham de referir alimentos que gostavam e alimentos que não gostavam.

 

Como este exercício é de carácter pessoal, pedi aos miúdos para lerem o que tinham escrito. O T. tinha o braço no ar e pedi-lhe que lesse o seu exercício.

 

Aluno: I like carrots, bananas and burgers. I don't like "pias" and hot-dogs.

 

Eu: "Pias"? Pois, realmente elas devem ser um bocadinho duras para comer...

 

A turma caiu na risada, pois está claro!

 

A seguir seguiu-se uma explicação acerca da "pia" que é sinónimo de sanita (alguns não sabiam) e mais um treino de pronúncia de "peas" (ervilhas).

 

I like peas. Peas are good to your health. They are excellent antioxidants and they have low calories. Let's eat them everyday! Hooray!

Coisas estranhas... #1

Entrou na mesma paragem do que eu uma senhora, muito assenhorada do seu nariz, que se sentou à minha frente sempre com o telemóvel na mão. Até aqui tudo normal.

 

O autocarro seguiu o seu percurso e eu deixei-me embalar pelos seus solavancos e pelo ar condicionado à temperatura ideal que ele tinha, enquanto ia apreciando a paisagem lisboeta.

 

Numa paragem a meio do percurso, entraram duas senhoras cada uma com uma menina ao colo: uma senhora negra e outra senhora chinesa. À chinesa todos deram o lugar, a negra era invisível pois ninguém levantou o rabo para ela se sentar. Isto era só um àparte ilustrador da nossa sociedade.

No final das contas, a senhora negra acabou por sentar-se nos lugares reservados com a sua menina ao colo mesmo ao lado da menina chinesa enquanto a senhora chinesa foi de pé porque assim o quis.

 

A tal senhora que ia sentada à minha frente, acabou por chegar ao seu destino. Esticou o braço, tocou no "stop" e antes de se levantar do banco, sacou do telemóvel e tirou uma foto na direcção das duas crianças. Ficou tudo durpreendido com a sua atitude: a mãe negra ficou sem reacção, a menina que ia ao seu colo esticou o dedito apontando para a senhora e disse qualquer coisa em linguagem de bebé; já as chinesas nada disseram e sairam.

 

Agora alguém me sabe explicar qual foi o intuito da tal foto? Que fariam vocês se fossem alguma daquelas mães (ou pais)? É que nos dias de hoje nunca se sabe o que pode acontecer às fotos. Ainda por cima fotos de crianças! Acho que se fosse alguma filha minha, partia os dentes à tal senhora e ficava sem telemóvel. Talvez pensasse duas vezes antes de fazer o mesmo sem pedir autorização...

 

Gente incompetente não tem direito a dar bitaites!

Fico danada com certas coisas. Principalmente se vem de gente incompetente, com a mania que sabe fazer melhor que os outros mas cujos resultados são sempre fiascos de enfiar a cabeça debaixo da terra!

 

Há uma pinguim na Pinguinolândia que é assim. É uma sacana de primeira e vale-se de ser parente de quem é para obrigar os outros a "calarem-se". Até a pinguim-mor baixa a bolinha. E eu faço parte do rol que tem de engolir alguns sapos (como ela interromper a minha aula por tudo e por nada, largar sentenças, e roubar-me sempre tempo de aula, prejudicando os miúdos) e ter que fechar a boca em algumas situações. E é se quero trabalhar.

 

Hoje peguei nos meus pequeninos, e fui com eles para uma sala onde há computador, para ensaiar a canção da festa final do ano. A meio do ensaio, aparece-me a tal pinguim a meter o nariz, de resto como é prática corrente, já que ela não se enxerga. E toca a dar bitaites para aqui e para ali e a desconcentrar as crianças. Ela adora fazer isto aos alunos dela quando eu estou a explicar algo muito importante. Mas quando é na aula dela, chama nomes aos miúdos, bate-lhes e dá-lhes castigos... Adiante!

 

Eu já estava a começar a ferver, e decidi levar os miúdos para a sala deles. Por causa das constantes intervenções dela, já não conseguia fazer nada com os putos. Quando iamos a sair, estava a pinguim à porta. Fez questão de parar as crianças para lhe dizer:

 

- Ora digam lá a canção sem a cantar...

 

- Ó pinguim, as crianças são muito pequeninas e não é assim que aprendem inglês... elas aprendem as coisas inseridas num contexto... - disse eu quase a deitar fumo pelas orelhas.

 

- Mas elas têm de entender o que estão a dizer...

 

- E estão, pinguim... elas sabem o que estão a cantar, até porque elas já conhecem a canção desde o início do ano...

 

- Elas assim não vão lá...

 

- Vão sim, pinguim. O inglês tem de ser ensinado como eu faço a crianças tão pequenas... - e peguei na miudahem e arranquei antes que me desse três coisas más e lhe espetasse um unha nos olhos.

 

vim para a sala das crianças e voltei a ensaiar as crianças sem música. Não sei se foi devido ao afastamento da influência negativa daquela pinguim ou não mas que os miúdos depois cantaram tudo certinho, cantaram. 

 

E existe uma coisa chamada Lei do Retorno. E esta pibguim que se prepare porque todas as coisas negativas e invejas que ela têm, vão virar-se contra ela. Ah pois é. Pra ela ninguém presta e nem ninguém faz nada bem como já vos disse. É pena é que ela não tenha espelhos para ver que aquilo em que se mete acaba sempre sair tudo mal porque ela quer fazer mil e uma coisa de uma vez, dando o trabalho aos outros porque ela não faz nada, de forma a ser diferente e original. Sai sempre cagada.

 

Quando eu terminei a aula, vieram dizer-me que ela tinha dito nas minhas costas "ela não vai conseguir...". Grande porca! Ela vai engolir o que disse. E eu sei que ela precisava de ajuda numas coisas para o final do ano e até podia dar-lhe uma mãozinha de boa vontade. Mas achm que merece? EU não acho. Ela que se deixe de estar com os dentes ao sol e de missas extras e coisas do género porque assim resta-lhe mais tempo para outras coisas.

 

É uma desorganizada que não consegue concluir nada a tempo. Mas se formos nós já levamos nas orelhas até mais não. E se ela tivesse uma família, filhos e vida cá fora como os outros? Epá, não há paciência!

 

Miminho de Aluno (Take 1)

 

Vou carregada com os meus livros e tralha acessória a subir as escadas em direcção à sala de professores, quando oiço uma vozinha:

 

- Teacher, ó teacher...!

 

Olho para trás, conforme giro a chave na fechadura, e vejo o L.

 

- Ó L.zinho, o que queres à teacher?

 

O menino pára, faz uma cara meio séria e diz:

 

- Posso fazer-te uma pergunta?

 

Com um sorriso eu respondo:

 

- Claro que podes!

 

Com o seu arzinho de 5 aninhos mas ainda nos 4, o L. pergunta-me:

 

- Posso dar-te um beijinho?

 

Agarrei-me a ele e disse-lhe:

 

- Podes dar os que quiseres porque eu também te vou dar muitos...

 

E dei!

 

E são estes miminhos tão doces e preciosos que nos abrilhantam e dão alegria à vida. Os pequenotes às vezes nem sonham o quanto estes miminhos são importantes para nós e que nos sabem melhor do que toda a fortuna do mundo!

 

 

Mais Do Mesmo.

 

Terminei a semana mais morta que viva. Não só pelo cansaço e calor mas também pela falta de motivação, pela falta da convivência, camaradagem e ambiente de brincadeira saudável que existia o ano passado quando fomos para a praia.

  

É impressionante como uma única pessoa com a sua energia negativa e falta de envolvimento com a dinâmica da coisa contaminam o meio envolvente. Já sabem que estou a falar na santinha-do-pau-oco. Isola-se, raramente se aproxima dos colegas o que causa um certo mal-estar. A verdade é que ninguém se sente à vontade perto dela. À bocado ocorreu-me que ela deve ter ciúmes ou inveja de que os miúdos gostem mais dos outros professores do que dela e, por isso, "não deixa" que as crianças se aproximem, ela suga-as para perto de si. O que vai acontecer é que estas crianças vão tornar-se anti-sociais. Se eu tivesse um filho na escola, não gostaria que a sua professora procedesse assim.

 

Quem me lê há algu tempo sabe que eu defendo que "precisamos todos uns dos outros". Mais cedo ou mais tarde. Defendo a sociabilização, neste mundo de tanta solidão e tristeza. Acho que o viver e conviver em sociedade nos prepara para enfrentar as adversidades da vida. Aprendemos com as nossas experiências mas também com as dos outros. Acho eu, mas muitas vezes desconfio que ando muito enganada neste mundo.

 

A semana finalizou com a santinha nos seus banhos de princesa e a borrifar-se para os seus alunos que foram habituados a "flutuar" à sua volta mas de quem se esquece rapidamente ao ir para fora de pé. Tem lá as duas "lacaias" para tomar conta das crianças...

E a semana começou na mesma: mergulhos em alto mar, lacaias a controlar tudo e mais alguma coisa e a tomar decisões que deviam ser da autoria da santinha-do-pau-oco.

 

A única novidade do dia, pelos vistos, foi o novo motorista. Gajo jovem com ar de totó (lol), ou melhor, de tintin. Franjinha à tintin (d' aprés Hergé), nome invulgar e homónimo ao do famoso dicionário. Ah e com resmas de paciência para aturar putos melgas!

O dia de praia até estava fixe a água é que parecia uma tina de água comgelada. Dava para meter os pézinhos - e o resto do corpo - lá dentro mas poucas vezes. Estava-se bem melhor ao sol.

Vamos ver o que nos reserva o tempo para amanhã.

 

MOMENTO DO DIA

(ao passar por uma loja...)

- Ali não é a China... Ali é uma loja dos chineses. A China é mais à frente... {#emotions_dlg.blushed}

 

(para o nosso motorista...)

- Ó Aurélio... liga as luzes... (tão pá, andamos na escola juntos ou quê?! {#emotions_dlg.amazed})